Essa semana, uma amiga me contou que viu uma reprodução de um mapa antigo da cidade de João Pessoa, quando esta se chamava Frederica. Foi lá pelos anos de 1630, quando aconteceu a ocupação Holandesa no Nordeste brasileiro. Era uma vista aérea da cidade. O que chamou atenção foi a legenda do mapa. Ali estava escrito: Vista de Pássaros. Sim, vista de pássaros, porque naquela época, voar era coisa de pássaros; não de homens, nem de máquinas. Bonito a gente pensar que ver de cima era privilégio dos pássaros, mas mais bonito ainda é entender que os homens daquele tempo se permitiam imaginar o mundo visto de cima.

Conversamos um pouco sobre isso e pensamos: onde foi que perdemos a vontade de imaginar? Onde foi que perdemos a ousadia de mapear o que não estamos vendo com os olhos, provando com imagens?

Nosso século é cheio de certezas, provas físicas, cartografias exatas. Sim, evoluímos. Podemos fazer voar um drone que registra detalhes e coordenadas; uma máquina que voa com a exatidão da modernidade. Podemos nos guiar por GPS com precisão e com informações de locais e amigos que andam por perto. Isso é realmente incrível. Mas eu só queria dizer que precisamos lembrar que podemos mais, que temos olhos de ver além. Queria dizer que imaginar é uma asa que nos leva a voos ainda mais altos. Seja pássaro, mesmo sem voar, imagine mais, seja inexato de vez em quando, olhe com os olhos do coração e vá longe; bem alto e distante. Vá, voe, experimente a liberdade; essa brisa que embala novas conquistas. E depois volte e venha provar tudo o que você viu por aí.

Foto: Cácio Murilo