Esse ano eu recebi muitos pedidos de ajuda na área de recolocação profissional. Em pleno século 21, um tempo de libertação e militância social, muitas pessoas se sentem presas às suas escolhas profissionais. Essas pessoas querem virar a chave, se sentir plenas e satisfeitas nas suas profissões e, ao mesmo tempo, não sabem como e por onde começar.

Se você leu este primeiro parágrafo e se sente representado, continue a leitura. Esse texto é para você. Seja bem-vindo.

Eu tenho 40 anos. Até os 32 tive vários empregos, em diversas áreas, todos com sucesso e, ainda assim, não me sentia plena. Sou engenheira química e arquiteta, e certo dia, aos 30 anos, no auge do sucesso no emprego da época, me fiz a seguinte pergunta: Em 30 anos, vou olhar para trás e sentir orgulho dessa trajetória profissional?

A resposta foi não.

Aos 32, após um processo de Coaching, resolvi mudar de profissão e iniciei uma nova jornada. Hoje, aos 40, trabalho com desenvolvimento de pessoas, e esse ano me fiz a mesma pergunta de outrora.

A resposta foi sim.

Antes de continuar, preste atenção nessas quatro palavrinhas: Foco, Persistência, Amor e Conhecimento.

Para vocês, que estão no olho do furacão, a pergunta que surge é: Como você conseguiu?

Eu consegui porque eu quis. Eu quis muito. E eu me movimentei para encontrar as respostas. Esse é, sem dúvida, o primeiro passo.

Mergulhei em um processo de auto-conhecimento que envolveu terapia, processos de coaching, cursos e imersões.

Dei o segundo passo: arrisquei. Sai do meu emprego e comecei a trabalhar com desenvolvimento de pessoas. Ainda não tinha todas as respostas, e uma certeza pulsava em mim: essa é a direção geral. Falta apenas o detalhamento da rota. Nessa etapa, são mais perguntas do que respostas, e eu precisei focar na nova profissão e nos novos desafios.

Dois anos depois, mais ciente do que a minha nova profissão significava, mais integrada no novo mercado de trabalho e com a percepção ampliada, os reais desafios começaram a aparecer, e foi necessário dar o terceiro passo: eu precisei encontrar a minha identidade, desenvolver o meu estilo e os meus diferenciais. Fui persistente para me reinventar dentro do que já era novo para mim. Entendi que não se tratava apenas de descobrir o que eu amava fazer. Se tratava de “fazer a diferença” nessa nova profissão, e esse desafio era bem maior.

Com o passar do tempo, tive a chance de ver, ouvir e sentir essa transformação em mim e nas pessoas ao meu redor. Foi mágico, estimulante, e ao mesmo tempo desafiante. Quando você encontra “a pessoa certa” e começa a se relacionar com ela, é importante estar atento às mudanças para que este relacionamento continue saudável. Na profissão não é diferente. O meu quarto passo no meu processo foi exercitar o amor. O amor é um sentimento forte e nobre, que te conecta com o teu eu mais profundo. O amor é o que te faz compreender o incompreensível e acreditar que tudo vai dar certo.

E quase uma década depois da virada, será que eu já me sinto pronta? Será que o ciclo já terminou? Como eu sei que estou no caminho certo?

Eu sei porque a dúvida e inquietação de outrora já não existem. Eu sei porque eu sinto. Eu sei porque os feedbacks são muitos, e os resultados também. Eu sei porque eu sinto satisfação e plenitude no meu trabalho, e frio na barriga sempre que chega algo novo.

A caminhada continua, e o meu quinto passo é a evolução com maturidade, a consolidação e a celebração de frutos concretos. Fique atento ao quinto elemento, que é o seu elemento, ou como diria o meu amigo e mentor Bernd Isert, o “elemento livre”. O conhecimento, o foco, a persistência e o amor estiveram sempre presentes, e há um elemento que é a minha “pitada a mais”, algo que é meu, está no meu DNA. Esse elemento eu não vou revelar. Aqueles que me conhecem saberão sem exitar. Para os curiosos, descubram!

Feliz ano novo!