Quando eu penso em tendências, em novas profissões, novas formas de trabalho e de interação, faço imediatamente um paralelo com um tema que me é frequentemente relatado pelos meus clientes: motivação, vontade de fazer e se dedicar a algo.

   Tiago Mattos afirma, em seu livro VLEF (Vai lá e Faz), que nós estamos vivendo uma “Mudança de Era”. Nessa nova era, devemos ser multidisciplinares. Segundo ele, podemos exercer várias funções ao mesmo tempo, dependendo da nossa necessidade.

   O questionamento que eu faço é: Se podemos e devemos exercer várias funções ao mesmo tempo, seremos, então, medíocres? A nova era é de pessoas medíocres, que fazem de tudo um pouco e não conseguem se aprofundar em nada?

   O neurobiólogo Gerald Hüther afirma que temos talentos inexplorados, e devemos ficar atentos a eles, para, então, lapidarmos o diamante que há  em nós. A crítica ao sistema escolar tradicional, que inclusive vem da era da revolução industrial, é de que neste sistema, buscamos incansavelmente a mediocridade. Precisamos estar na média em tudo.

   Woody Allen foi criticado na escola por prestar atenção à “tudo”. Ele era muito curioso, e isso irritou os seus professores. Ao buscarmos estar na média, deixamos de nos aprofundar naquilo que fazemos muito bem. Será que Picasso teria sido tão genial se não tivesse se dedicado à exaustão ao ato de pintar?

   Toda a discussão em torno das novas profissões e formas de trabalho não deve apagar o fato de que somos individuais e devemos estar atentos ao nosso real talento.  Whindersson Nunes tem, acima de tudo, um talento para comunicação e improvisação que foi estimulado por ele com muita disciplina. Ele conta como se dedicou exaustivamente a aprender tudo que estava relacionado a esta sua nova profissão. Sem esse talento, dificilmente se atingirá o mesmo sucesso que ele.

   Nessa nova era, o mais importante é estar atento ao que vem “de dentro”. Os pais devem observar os filhos, e os adultos devem se conectar com sua essência, olhar para dentro.

   De posse do seu talento, o mais fácil de tudo será encontrar a melhor forma de entregar para a sociedade o resultado da sua evolução. Hoje existem opções, flexibilidade e, acima de tudo, muita abertura para o novo.

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