Hoje eu vou falar sobre a relação entre parir e evoluir. No meu contexto, eu pari mais um filho e agora tenho dois. Gerar um ser dentro de você é um processo, para ele e para você.

A natureza é sábia. Ela te dá um tempo para se preparar para a chegada do bebê. Tempo para organizar a casa, a vida, a mente, o corpo. Tempo para o bebê crescer, se formar e tudo isso às escuras, ainda sem se conhecer. É uma relação linda de confiança, do tipo: “Nem te conheço, mas você já faz parte.”

Há dois anos tive a minha primeira filha. Foi uma gestação tranquila, com parto normal, amamentação, tudo o que eu desejava. Evoluí muito como pessoa e os processos da maternidade em si eram todos muito novos. Nunca tinha engravidado, nunca tinha parido, muito menos amamentado. Foi doloroso passar por tudo isso pela primeira vez sem perder o foco da simplicidade que eu sempre tive. 

É muito curioso como algo extremamente instintivo e simples foi transformado em algo complexo: são muitas necessidades desnecessárias que podem tirar o seu foco e, de repente, para ser mãe, você precisa contratar um arsenal de profissionais, equipamentos, assessorias, além de fazer intervenções desnecessárias. É difícil abrir mão de algo que dizem que você precisa e estudar, colher informações e decidir o que é melhor para você, dentro do seu conceito de vida.

O nascimento de Francisco, meu segundo filho, foi ainda mais tranquilo. A gestação foi ainda mais simples, as compras foram ainda mais reduzidas, assim como as expectativas, e o parto foi incrível, com apenas 2,5h de trabalho de parto (no de Maria foram 9h). Maria me ensinou a amamentar, e Francisco se beneficiou disso. Percebo uma grande evolução de um filho para o outro, e sou grata por todas as dificuldades que tive, pois elas me tiraram da zona de conforto e me fizeram estudar, praticar, crescer e aprender.

Eu costumo dizer que evoluir significa sair da zona de conforto e experimentar novos padrões e, para isso, é necessário que haja a transição de um estado para o outro. Até lá é comum haver desconforto, sofrimento, insegurança. Fazer a transição é se transformar em algo melhor e deixar ir o que você não deseja mais. Não se esqueçam de valorizar a prática, a repetição e o loop de feedback se você quer evoluir ou atingir a excelência em algo novo.

Na maternidade, eu evoluí, fiz a transição de um filho para o outro, e ainda tenho muito a aprender, pois como vocês sabem, sou uma eterna aprendiz.